Nelson Aires é o grande vencedor do prémio de fotojornalismo ESTAÇÃO IMAGEM|MORA, segundo a decisão do júri internacional que esteve reunido naquela vila alentejana durante os últimos três dias. O mesmo fotojornalista venceu também na categoria Série de Retratos, tendo os restantes prémios sido atribuídos a Enric Vives Rubio (Notícias), José Carlos Carvalho (Vida Quotidiana), Augusto Brázio (Ambiente), Artur Machado (Arte e Espectáculos) e Leonel de Castro (Desporto). Além dos vencedores, o júri decidiu ainda premiar mais oito reportagens apresentadas.
Para além das reportagens distinguidas, foi ainda atribuída a Bolsa Estação Imagem 2010, cujo vencedor é Paulo Alegria, que se propôs desenvolver um trabalho a que deu o nome de Cultura Magra.
O anúncio das decisões foi feito hoje, ao final da manhã, numa cerimónia que teve lugar no auditório municipal de Mora. Para a parte de tarde, às 16h00, está prevista uma conferência com a presença dos premiados e dos cinco elementos do júri, que vão expor as razões das suas escolhas.
Presidido por Walter Astrada, um fotojornalista argentino premiado nos últimos três anos no World Press Photo (WPP), o júri era ainda composto por Ayperi Karabuda Ecer, vice-presidente da Reuters Pictures e que presidiu ao júri no ano passado; Laura Serani, directora do festival de fotografia de Bamako, ex-responsável pela colecção de fotografia FNAC; Marizilda Cruppe, fotojornalista do jornal brasileiro Globo e fundadora do colectivo EVE; e Wolker Lensch, editor chefe de fotografia da revista alemã Stern. Os três últimos integraram também o júri do WPP.
Sobre a reportagem vencedora, relacionada com um caso de bullying numa escola de Mirandela, o presidente do júri destaca que “o trabalho foi feito ao longo do tempo acompanhando um tema noticioso”, mostrando ao mesmo tempo “uma visão pessoal do fotógrafo, que desde o princípio dá a entender tratar-se de um assunto importante”, frisa Walter Astrada. “Com esta escolha, o júri pretende mostrar que também cobrindo matéria noticiosa é possível criar uma história completa, bem editada e com um estilo pessoal. O trabalho vencedor mostra que se o fotógrafo for perseverante vai conseguir sempre montar uma boa história”, sublinha ainda o presidente do júri.
No geral, o júri mostrou-se “muito satisfeito com a selecção dos fotógrafos, tendo detectado apenas alguns problemas de edição, uma questão que é universal e não só dos fotógrafos portugueses. Algumas reportagens partiam de boas ideias, mas acabavam mal desenvolvidas”, explicou o premiado fotógrafo argentino.
No total, foram submetidas a concurso 462 reportagens apresentadas por 164 fotojornalistas, com um total de 4968 imagens.